sexta-feira, novembro 10, 2006

Lisos Cabelos


Cabelos. Lisos cabelos.
Na gélida noite uma brisa noturna penetra nas frestas de minha janela e aguça o olfato trazendo das ruas odores de vidas perdidas e mundos sem vida e vidas vividas. E eu só. Parede. cama. Canto. Vultos da noite balançam e dançam de um lado pra outro. Instigam meus olhos não mais presos aqui, quando atravessam os portais de Hermes.
Cabelos. Lisos cabelos.
O vento que sopra leve, delicada eficácia ao gelar a espinha, estremecendo o corpo por inteiro torpor.
Há cinco minutos era cama, canto, parede, onde agora há alguém na penumbra que me olhando. Nada se vê além de profundos olhos azuis que me encaram como faróis numa noite nascida na superstição. Não havia ninguém, eu juro! Pela minha alma agora vendida e com ela pagarei contente, por ter aquela presença, ali ao meu lado, pertinho e cada vez mais próximo e presente! A luz que vinha das frestas iluminou a pálida face e pude ver carnudos lábios que se aproximavam dos meus exalando seu hálito de rosas vermelhas e eucalípto, enquanto seu olhar azul e ofuscante, se tornava branco e intenso, atravessando meu ser, atingindo minha alma certeiro. Fechei meu olhos e ali fiquei, acariciando aqueles cabelos. Lisos cabelos de anjo. Eram cinza dourado, mais cinza que dourado, no luuar quase branco ficavam. e eram lisos, mais lisos que um bebê. Perfumados e lisos. Naqueles cabelos, lisos cabelos perfumados adormeci.

terça-feira, agosto 22, 2006

Strawberry Ocean
Vejo-me cercado por uma branda alegria assolada por leves rajadas melancólicas, como se estivesse correndo em um mar de gelatina de morango, em direção ao horizonte avermelhado que se funde ao o pôr-do-sol. Desnudo e de cabelos longos e molhados batendo sucessivamente, ao som abafado de meus passos, de um lado e de outro em minhas costas. Um sorriso que se abre ao fechar de meus olhos ao sentir gotas de groselha caindo levemente de um firmament roxo e azulado. Indescritíveis sensações aflorando no movimento que me leva além, além e além da terra que some lentameente às minhas costas. No alto mar vermelho, seres cremosos eclodem à surperfície me recebendo e curvando-se ao explendor de um momento único e inesquecível. peixes-yummi e lemon-sea-lions oferecendo-me seu frescor e vitalidade para que a corrida não termine antes de atingir seu objetivo final: Chegar ao centro do redemoinho do ralo das laranjas e ser sugado para o centro onde só restaram as sementes e nela fundir-se à origem de tudo. Recomeçar, nascer para o novo mundo mais uma vez. Reciclar, recriar. Imaginar e sonhar. Eu.